Saúde

Dois anos após a criação do Selo Clean & Safe, o Turismo de Portugal, além de atualizar os requisitos de adesão associados à pandemia de Covid-19, alarga o âmbito desta ferramenta de apoio às empresas, com o objetivo de capacitar as entidades aderentes a dar resposta rápida a outras situações com impacto negativo na saúde dos turistas.

Pandemias (COVID-19 e outras)

O selo Clean & Safe mantém o enfoque na componente sanitária, continuando a promover o desempenho higiénico-sanitário das empresas, com requisitos adequados a responder à atual fase epidemiológica de Covid- 19, mas alarga o seu âmbito a outros riscos para a saúde associados a infeção por agentes biológicos.


Os agentes biológicos incluem vírus, bactérias, fungos e parasitas, e podem causar problemas de saúde, diretamente ou através da exposição a alérgenos ou toxinas conexos.

Ondas de calor

Uma onda de calor, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), “ocorre quando num intervalo de pelo menos seis dias consecutivos a temperatura máxima diária é superior em 5ºC ao valor médio diário no período de referência” (IM).


Este fenómeno térmico extremo contribui para a criação de condições propícias à propagação de incêndios florestais e tem um grande impacto na saúde humana, em particular nos grupos de população idosa, crianças e pessoas com doenças de coração e vias respiratórias, para os quais deverão ser dirigidas ações de sensibilização e prevenção. Destaca-se, ainda, o impacto que este fenómeno tem nos turistas, que se encontram mais expostos aos efeitos adversos do clima por estarem fora das suas rotinas habituais e do seu local de habitação.

Fenómenos extremos e riscos coletivos

A versão 2022-2024 do selo Clean & Safe alarga, ainda, o seu âmbito a uma dimensão de segurança transversal à atividade turística, passando, também a abranger situações de possível vulnerabilidade dos turistas, nomeadamente associadas aos fenómenos extremos e riscos coletivos mais comuns ou prováveis no território nacional, tais como incêndios rurais, sismos ou tsunamis e inundações.

Incêndios rurais

Um Incêndio Rural define-se como a existência e progressão de um fogo, de modo não planeado ou não controlado, em território rural, requerendo ações de combate para o seu controlo e extinção. Esta designação é mais abrangente do que o termo usualmente utilizado "Incêndio Florestal", por incluir não só os incêndios em florestas, mas também incêndios que ocorram em matos, pastagens, culturas agrícolas, etc.

Por terem desenvolvimento em paisagem rural, ardendo maioritariamente combustíveis vegetais e progredindo ao longo da paisagem, distinguem-se dos Incêndios Estruturais (também designados por - Incêndios Urbanos), que ocorrem em áreas edificadas e alimentados por combustíveis presentes nas construções. Contudo, os incêndios urbanos também podem alastrar-se ao espaço rural circundante, podendo afetar casas, fábricas e outros edifícios, motivo pelo qual é essencial a existência de faixas de proteção e outras medidas no interface entre os espaços rurais e os espaços edificados.

Os incêndios rurais são das catástrofes naturais mais graves em Portugal, não só pela elevada frequência com que ocorrem e extensão que alcançam, como pelos efeitos destrutivos que causam. Para além dos prejuízos económicos e ambientais, podem constituir uma fonte de perigo para as populações e bens.


A intervenção humana pode desempenhar um papel decisivo na sua origem e na limitação do seu desenvolvimento, o que distingue os incêndios rurais das restantes catástrofes naturais.

Sismos e tsunamis

Um sismo é um fenómeno natural resultante de uma rotura, mais ou menos violenta, no interior da crosta terrestre, correspondendo à libertação de uma grande quantidade de energia, que provoca vibrações que se transmitem a uma vasta área circundante, e que pode ter efeitos destrutivos significativos. Quando a atividade sísmica é gerada no oceano, pode ser acompanhada por tsunamis ou maremotos, provocando grandes destruições em estruturas costeiras ou ribeirinhas (embarcações, casas, pontes, etc.).


É possível tentar minimizar os efeitos dos sismos, identificando zonas de maior risco, construindo estruturas mais sólidas, promovendo a educação da população, nomeadamente no que diz respeito às medidas de segurança a serem tomadas durante um sismo, e elaborando planos de emergência.

Inundações

Por inundação entende-se a cobertura temporária por água de uma área em que normalmente tal não acontece. Inclui as cheias ocasionadas por períodos de chuva intensa, pelos rios, pelas torrentes de montanha e pelos cursos de água efémeros mediterrânicos, e as inundações ocasionadas pelo mar nas zonas costeiras.


As inundações são a catástrofe natural que ocorre com maior frequência e que pode causar devastação generalizada, com perda de vidas, danos económicos e sociais e impactos ambientais.


Pretende-se, com a sua inclusão no âmbito do selo Clean & Safe, aumentar a resiliência das empresas do setor e contribuir para a redução dos danos provocados por inundações e dos seus impactos negativos na atividade turística.

Constrangimentos Internacionais

Com o objetivo de tornar o setor cada vez mais resiliente às incertezas e crises com que se pode defrontar, o selo Clean & Safe passa a promover, também, a capacitação das entidades aderentes na prevenção e resposta a eventuais situações de emergência associadas a constrangimentos com origem além-fronteiras, envolvendo, nomeadamente, cibersegurança e necessidade de acolhimento a refugiados.

Cibersegurança

O conceito de Cibersegurança pode ser entendido como o conjunto de medidas e procedimento destinados a prevenir, monitorizar, detetar e corrigir redes e sistemas de informação face às ameaças a que estão expostos, tentando manter um estado de segurança desejado e garantir a confidencialidade, integridade, disponibilidade e não repúdio da informação. Pode ainda ser definido como o sentimento de segurança percecionado pelas pessoas quando usam a Internet e as tecnologias digitais.


A abrangência desta vertente pelo selo Clean & Safe, reflete a aposta na prevenção e sensibilização para este tema, tendo em consideração os atuais índices de literacia digital, bem como a necessidade imperativa de promover uma cultura de cibersegurança no setor do turismo.

Refugiados

No quadro das Nações Unidas, os “migrantes forçados” são considerados como um grupo vulnerável da população, estando especialmente sujeitos a vulnerabilidades estruturais que se traduzem em maiores entraves jurídicos ou de outra ordem no exercício de escolhas e na reivindicação dos seus direitos a apoio e proteção em caso de crises.


Portugal tem contribuído para a discussão no seio da União Europeia em torno da resposta à crise de refugiados na Europa, e tem-se empenhado nas diversas ações que a UE vem desenvolvendo nesse contexto. A inclusão deste tema nos conteúdos de capacitação Clean & Safe acompanha esta linha de atuação.